quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Lendas de Portugal


A música que é feita hoje em dia com inspiração medieval tem muitas vezes como temas contos e lendas da tradição oral popular. Graças à curiosidade despertada pela canção"Pieira dos Lobos" da banda Música Profana encontrei um dos projectos do Centro de Estudos Ataíde Oliveira.

O Centro de Estudos Ataíde Oliveira está sediado na Faculdade de Ciências Humana e Sociais da Universidade do Algarve. Foi criado com o intuito de desenvolver a literatura oral e desde 1994 que efectua a recolha e arquivo de versões de contos portugueses. Actualmente têm dois projectos entre mãos, o Arquivo do Conto Tradicional Português e o Arquivo Português de Lendas.

Este último possui um vasto conteúdo de mitos e lendas portuguesas incluídas nas seguintes categorias: Lendas Sagradas, Históricas, Urbanas, Etiológicas e Lendas do Sobrenatural. Numa das páginas encontrava-se a lenda na qual a música se inspirava.

A forma mais simples de encontrar uma lenda específica é usando o formulário de pesquisa (Search Form), no entanto, é também bastante interessante perdermo-nos no site durante algum tempo, deixando-nos navegar pelas várias categorias, descobrindo um pouco da cultura popular portuguesa.

Até agora foi o maior e melhor arquivo online que encontrei desta temática e revela-se não só uma óptima fonte de curiosidades mas também bastante útil para quem não tem facilidade em se deslocar a uma biblioteca onde seja possível consultar volumes deste contexto.
É possível visualizar o site tanto em português como em inglês, tornando o seu conteúdo ainda mais acessível.

É bem vindo o contacto de pessoas que conheçam mais lendas ou contos portugueses que ainda não fazem parte destes arquivos. Para ajudar a completar o arquivo devem enviar e-mail para  CEAO@ualg.pt







quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Juanjo Guarnido e Freak Kitchen

Juanjo Guarnido é um ilustrador espanhol mais conhecido pelo seu trabalho como ilustrador na série de banda desenhada Blacksad, escrita por Juan Díaz Canales. Foi ainda animador na Disney onde trabalhou em vários filmes, incluindo Hércules, Tarzan, Atlântida: o Continente Perdido, O Livro da Selva 2 e a curta-metragem Lorenzo.

Os Freak Kitchen são uma banda de hard rock e heavy metal da Suécia. O conteúdo das suas letras normalmente contém críticas à sociedade, ironia e humor negro.

O que é que acontece quando um desenhador decide envolver-se com hard rock?
Uma obra-prima. 



Juanjo sempre quis avançar com um projecto próprio que estivesse envolvido com música. Assim, foi uma questão de tempo até propor a realização de um videoclip em animação a uma banda, tendo a sua escolha recaído nos Freak Kitchen. Ao contactar o vocalista da banda, Mattias Eklundh , este último propôs-lhe o desenho da capa para o novo álbum Cooking With Pagans. Juanjo aceitou de imediato e guardou a ideia do seu projecto de animação para aplicá-la assim que reunisse fundos para isso. Foi pedida ajuda aos fãs para angariar dinheiro de forma a financiar os custos de produção e o resultado pode ver-se a seguir:



Nunca tinha visto uma animação de um videoclip tão bem feita, pelo que esta me despertou a atenção. Cheguei a ela a partir de um dos canais do VSauce.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Arslan Senki - The Heroic Legend of Arslan




A minha irmã é aquilo que eu gosto de chamar uma nipoólica*, também conhecido por: pessoa completamente viciada em tudo o que seja nipónico ou evoque o Japão.
Sendo ela uma nipoólica, transmite-me, frequentemente, factos, novidades e afins da cultura japonesa.

Antes do Natal passado, levei-a comigo pela 1ª vez a uma loja de banda desenhada, para que ela pudesse folhear mangas e divertir-se a ver figuras de acção.

Esta conversa toda para dizer que:

Estava eu entretida, quando, de repente, a minha irmã aparece a meu lado com um exemplar de The Heroic Legend of Arslan (Arslan Senki) na mão.
A minha 1ª reacção foi:
(O.O) "Esse não é o Edward na capa???"

ao que ela pacientemente me explica que se trata de uma história totalmente diferente mas da mesma ilustradora e autora do Fullmetal Alchemist (o meu anime favorito).
Acontece, que eu nunca me aventurei muito pelo território dos mangas. Este, no entanto, despertou de imediato a minha curiosidade, tanto pela ilustradora, quanto pela história descrita na contracapa.


A acção desenrola-se no reino fictício de Pars, governado pelo rei Andrágoras, que se supõem ser inderrotável. Arslan é o príncipe que, apesar do esforço, lança dúvidas sobre a sua capacidade para um dia suceder ao trono.
Aos 14 anos parte para a sua 1ª batalha, a qual dará início a uma mudança drástica na outrora gloriosa capital de Ecbatana e no magnífico reino de Pars.




A atmosfera remete-nos para a antiga Pérsia (também chamada de Pars...), tanto pelas roupas, como pela comida, arquitectura e feição de algumas personagens.
Achei especialmente curioso a referência aos cruzados através da palavra lusitanos. Eu sou portuguesa, e com ascendência da Beira Baixa, pelo que para mim a palavra lusitano tem um significado especial que nada tem a ver com o uso que lhe é dado no manga.


Os lusitanos foram um povo que habitou o Oeste da península Ibérica, a antiga Lusitânia onde actualmente se situa Portugal e parte da estremadura espanhola. Resistiram durante algum tempo à invasão romana sendo Viriato o seu líder mais famoso (aclamado n'Os Lusíadas).

No manga são retratados como extremistas de uma religião que adora o Deus Yaldabaoth, que se trata, na verdade, de Deus descrito pelo gnosticismo. Não sei muito sobre o assunto, mas sei que os lusitanos nunca fizeram parte das cruzadas, ao contrário dos seus descendentes, juntamente com os restantes povos da Europa cristã (que na altura já tinha reinos definidos).

Fiquei com pena por ser atribuída uma imagem de vilões aos lusitanos, mas a verdade é que o mundo que nos é mostrado na Lenda de Arslan não precisa ser igual ao nosso. Acho mais envolvente se pegar em conceitos conhecidos ou desconhecidos e os fundir criando algo completamente novo e parece-me que até agora os conceitos estão bem conseguidos.

A história começa de forma intensa e desenrola-se a um ritmo viciante, com o surgimento de pequenos mistérios e revelações.

Após iniciar uma leitura compulsiva (é mesmo difícil parar!), descobri através de uma entrevista disponível no final do livro que o manga resulta numa colaboração entre a Hiromu Arakawa e Yoshiki Tanaka, sendo o último o escritor da história. 

Decidi completar a informação recorrendo à internet para descobrir um pouco mais sobre esta história e se existia a hipótese ou não de criarem um anime.
Descobri que a história foi escrita na década de 80 e que atingiu grande sucesso, tendo sido criada uma adaptação em anime e manga, mas num estilo totalmente diferente!

Desenhada por Sachiko Kamimura, a série de OVA's teve início em 1995 como resposta ao grande sucesso de Arslan Senki enquanto manga.

As últimas notícias revelam que o anime baseado na adaptação de Arakawa está agendado para estrear no Japão em Abril deste ano! Tendo sido emitido um anúncio pela televisão.

Da minha parte as expectativas são elevadas, já li o manga até ao capítulo 19 e espero ansiosamente para poder ler mais. O enredo e a atmosfera cativaram-me imenso. Espero que consigam transpô-los para o ecran com fieldade e torná-lo num sucesso comparável a Attack on Titan, Fullmetal Alchemist e outros.

Até lá aguardamos mais novidades enquanto lemos  novos volumes de manga desta história viciante.




Spot Televisivo:



Site oficial com mais informações: http://www.arslan.jp/
Curiosidades sobre o povo lusitano: clica aqui

* Palavra inexistente no vocabulário português, por mim aqui introduzida por necessidade.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

A Música Portuguesa A Gostar Dela Própria - Tiago Pereira



Estreia hoje às 22.45h, na RTP 2, uma série documental de 26 episódios, por autoria de Tiago Pereira, intitulada O Povo Que Ainda Canta.

Esta série tem por base a recolha efectuada pelo realizador Tiago Pereira, que, desde 2011, tem percorrido o país de Norte a Sul e gravado canções, ditos, lengalengas, bandas e grupos populares.

Já há mais de um ano que acompanho o projecto A Música Portuguesa A Gostar Dela Própria deste realizador português, e tenho observado uma grande base de dados aumentar de dia para dia graças ao trabalho, esforço e dedicação deste homem que se comprometeu a dar voz às velhinhas, e não só, espalhadas ao longo deste país. O "arquivo" conta já com mais de 1800 vídeos.

Para mim, a gravação das tradições portuguesas é um autêntico serviço público. Devia ser mais valorizado tal como muitas outras pessoas neste país que não recebem o devido reconhecimento, e merece, sem dúvida, um destaque muito maior do que o que lhe tem sido dado até hoje. Ainda assim aplaudo a iniciativa de emissão desta série num canal público.
 É bom saber que a partir de hoje as pessoas que não têm acesso a internet poderão também desfrutar dos frutos deste trabalho.

Quando olho para o nosso panorama musical penso que à excepção do fado parece que houve um corte brusco do som português que se fazia há umas décadas e o que se faz hoje. Quando ouvimos as bandas mais recentes os seus trabalhos não parecem reflectir a musicalidade portuguesa, mas antes uma cultura exterior.
Adoro a música portuguesa no geral, gosto tanto de artistas que cantam na nossa língua, como de artistas que cantam em inglês ou artistas e bandas que se concentram no instrumental e deixam a cantoria de lado. No entanto uma das minhas bandas favoritas são os Diabo na Cruz, e uma das razões pelas quais adoro a sua música é a proximidade que tem da música popular portuguesa, e da maneira como conseguiram transformá-la e fazê-la evoluir para um estilo revigorante e único que é o "rock popular".

A meu ver fazem falta mais umas quantas bandas com este não-sei-quê português. Pode ser que este trabalho de Tiago Pereira inspire alguém a avançar.





Recanto - "Mondego" from MPAGDP on Vimeo.


"Deêm-me duas velhinhas, eu dou-vos o Unniverso"
Tiago Pereira


Canal no Vimeo:  MPAGDP

domingo, 4 de janeiro de 2015

Maria Capaz



Há uns dias atrás, uma amiga enviou-me um link para um site que pode ser chamado de revolucionário, pelo menos em Portugal.


Este site contém imensos textos escritos por várias mulheres portuguesas, algumas mais influentes que outras, todas com o seu próprio estilo, mas unidas na "afirmação da mulher portuguesa e discussão da condição feminina a nível global".


Acho a ideia de criação desta plataforma original e muito adequada aos dias que correm.
A página de facebook de mesmo nome já conta com mais de 40.000 desde 17 de Dezembro, data de criação. Em menos de um mês atingiu já um alcance incrível, o que após navegar um pouco pela página ou pelo site deixa de ser tão espantoso. A sua elaboração está muito bem conseguida.

Com publicações diárias (conta até agora com 48 cronistas/colaboradoras) de conteúdos muito variados, quer sejam conselhos, igualdade, tabus sociais, peças de teatro acabadas de estrear, dicas de moda e até mesmo ensaios fotográficos e entrevistas.
É um site de variedades, rico e diversificado mas que põe sem dúvida alguma a opinião de algumas mulheres portuguesas no mapa. Ao visitar a página de contactos ficamos também a saber que qualqer uma de nós pode contribuir com os seus conteúdos, bastando para isso enviar um email.


Parece-me que esta ideia e site têm um grande potencial de crescimento e com futuras adesões provavelmente poderemos ter acesso a um site não só de opiniões de mulheres portuguesas, mas de opiniões de mulheres do mundo. Poderemos ter modelos femininos a seguir que com toda a certeza serão melhores do que a maior parte dos existentes. Podemos dar a conhecer às nossas meninas  de hoje mulheres de opiniões estruturadas às quais possam ascender ao invés de cantoras, actrizes e reality shows que degradam a imagem do que é ser mulher

Espero que o projecto avance e atinja sucesso. Por enquanto só tive oportunidade de ler algumas crónicas e ver uma entrevista, mas já me apaixonei e tornei-me seguidora do site e facebook.


Para visitar o site clica aqui!
Para visitar a página do Facebook clica aqui!

sábado, 3 de janeiro de 2015

What's in your head?



Começo este post com uma música.
Os Placebo deram um concerto no final de 2014, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa. A certa altura o vocalista disse "This next song is based on a true story, but we had to change the names for legal reasons in order to protect the guilty. And I can see, from here, that many of you are here tonight and you know exactly WHO YOU ARE. Thank you.". De seguida a banda começa a tocar o single "Too many friends" deixando a multidão ao rubro (eu incluída).

Esta música pertence ao mais recente álbum da banda (Loud Like Love) e fala da influência da tecnologia e redes sociais na nossa vida.

A cada dia que passa cada vez mais nos desligamos das pessoas que nos rodeiam, vivemos agarrados a computadores, tablets e telemóveis. Eu própria me encaro como cúmplice e culpada deste estilo de vida.

A questão é: até que ponto deixaremos chegar esta falta de ligação humana? Os efeitos colaterais já são observáveis, cada vez mais existem comentários negativos, ódio, egoísmo, indiferença, solidão, desrespeito, jovens com depressões ou, até mesmo, tendências suicidas. Vemos as nossas crianças a levar uma infância agarradas a vidas virtuais, alheias da realidade e do mundo físico e não nos preocupamos com isso, por vezes até as fomentamos. Mas o que será do mundo quando for governado por pessoas que talvez darão mais importância a ao digital do que ao real?
Será que essas pessoas se preocuparão com a fome, a pobreza, a escravidão, a discriminação, a poluição ou será que darão mais prioridade ao cyberbullying, acesso mundial livre à internet, etc? Será que sentirão empatia e compreensão pelo outro ou vê-lo-ão apenas como algo do outro lado do monitor?

"My computer thinks I'm gay. What's that difference anyway, when the people do all day is starring into a phone?"

Placebo

Não me interpretem mal, eu adoro tecnologia, acho que pode ser extremamente útil e divertida. Tornámo-nos muito mais eficientes graças a ela, fizemos descobertas fantásticas, ligámo-nos com quem está longe e talvez nunca mais pudéssemos ver, descobrimos uma nova forma de interação e partilha. No entanto, nem sempre usamos as nossas ferramentas da melhor forma, afinal uma faca não magoa se for bem utilizada...

Acima de tudo não nos podemos esquecer do mais importante: agir, fazer a diferença, conhecer lugares e pessoas, ajudar quem precisa, apoiar um amigo, trabalhar e sentirmo-nos úteis. No fundo, viver uma vida cheia. Para isso temos que estar "lá", não basta carregar num botão. E estar lá não só fisicamente mas mentalmente também! De que valerá a tua presença num jantar ou festa se te limitares a ficar agarrado ao telemóvel, completamente alheio ao que te rodeia?

Há um mês atrás eu fui almoçar a uma cantina universitária com o meu namorado, sentámo-nos sem reparar nas pessoas à nossa volta e começámos a discutir vários assuntos. Quando demos por nós estávamos numa discussão acesa devido a opiniões divergentes, mas reparámos num silêncio aterrador à nossa volta. Eu parei de falar, fiz sinal ao meu namorado com o olhar, e ambos pensámos que as pessoas em volta estavam caladas a ouvir a conversa (do estilo: omg... aqueles dois estão a discutir imenso). A verdade foi que quando nos levantámos deparámo-nos com 3 pessoas, sem comida nos pratos, completamente agarradas aos respectivos telemóveis que, pelos vistos, tinham passado +/- 30 mins. sem dirigirem palavra uns aos outros...

Eu pergunto, o que preferiam vocês? Ficar em casa a jogar uma partida de CS, LoL, etc, ou sair com os vossos amigos e ir jogar uma partida de bilhar, sueca, matraquilhos, ou mesmo paintball? Eu sei que a maior parte de vós deve responder a 1ª opção... e é isso que me assusta. 

"Staying in my play pretend where the fun ain't got no end. Can't go home again, need someone to numb the pain"

Tove Lo