quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

A Música Portuguesa A Gostar Dela Própria - Tiago Pereira



Estreia hoje às 22.45h, na RTP 2, uma série documental de 26 episódios, por autoria de Tiago Pereira, intitulada O Povo Que Ainda Canta.

Esta série tem por base a recolha efectuada pelo realizador Tiago Pereira, que, desde 2011, tem percorrido o país de Norte a Sul e gravado canções, ditos, lengalengas, bandas e grupos populares.

Já há mais de um ano que acompanho o projecto A Música Portuguesa A Gostar Dela Própria deste realizador português, e tenho observado uma grande base de dados aumentar de dia para dia graças ao trabalho, esforço e dedicação deste homem que se comprometeu a dar voz às velhinhas, e não só, espalhadas ao longo deste país. O "arquivo" conta já com mais de 1800 vídeos.

Para mim, a gravação das tradições portuguesas é um autêntico serviço público. Devia ser mais valorizado tal como muitas outras pessoas neste país que não recebem o devido reconhecimento, e merece, sem dúvida, um destaque muito maior do que o que lhe tem sido dado até hoje. Ainda assim aplaudo a iniciativa de emissão desta série num canal público.
 É bom saber que a partir de hoje as pessoas que não têm acesso a internet poderão também desfrutar dos frutos deste trabalho.

Quando olho para o nosso panorama musical penso que à excepção do fado parece que houve um corte brusco do som português que se fazia há umas décadas e o que se faz hoje. Quando ouvimos as bandas mais recentes os seus trabalhos não parecem reflectir a musicalidade portuguesa, mas antes uma cultura exterior.
Adoro a música portuguesa no geral, gosto tanto de artistas que cantam na nossa língua, como de artistas que cantam em inglês ou artistas e bandas que se concentram no instrumental e deixam a cantoria de lado. No entanto uma das minhas bandas favoritas são os Diabo na Cruz, e uma das razões pelas quais adoro a sua música é a proximidade que tem da música popular portuguesa, e da maneira como conseguiram transformá-la e fazê-la evoluir para um estilo revigorante e único que é o "rock popular".

A meu ver fazem falta mais umas quantas bandas com este não-sei-quê português. Pode ser que este trabalho de Tiago Pereira inspire alguém a avançar.





Recanto - "Mondego" from MPAGDP on Vimeo.


"Deêm-me duas velhinhas, eu dou-vos o Unniverso"
Tiago Pereira


Canal no Vimeo:  MPAGDP

domingo, 4 de janeiro de 2015

Maria Capaz



Há uns dias atrás, uma amiga enviou-me um link para um site que pode ser chamado de revolucionário, pelo menos em Portugal.


Este site contém imensos textos escritos por várias mulheres portuguesas, algumas mais influentes que outras, todas com o seu próprio estilo, mas unidas na "afirmação da mulher portuguesa e discussão da condição feminina a nível global".


Acho a ideia de criação desta plataforma original e muito adequada aos dias que correm.
A página de facebook de mesmo nome já conta com mais de 40.000 desde 17 de Dezembro, data de criação. Em menos de um mês atingiu já um alcance incrível, o que após navegar um pouco pela página ou pelo site deixa de ser tão espantoso. A sua elaboração está muito bem conseguida.

Com publicações diárias (conta até agora com 48 cronistas/colaboradoras) de conteúdos muito variados, quer sejam conselhos, igualdade, tabus sociais, peças de teatro acabadas de estrear, dicas de moda e até mesmo ensaios fotográficos e entrevistas.
É um site de variedades, rico e diversificado mas que põe sem dúvida alguma a opinião de algumas mulheres portuguesas no mapa. Ao visitar a página de contactos ficamos também a saber que qualqer uma de nós pode contribuir com os seus conteúdos, bastando para isso enviar um email.


Parece-me que esta ideia e site têm um grande potencial de crescimento e com futuras adesões provavelmente poderemos ter acesso a um site não só de opiniões de mulheres portuguesas, mas de opiniões de mulheres do mundo. Poderemos ter modelos femininos a seguir que com toda a certeza serão melhores do que a maior parte dos existentes. Podemos dar a conhecer às nossas meninas  de hoje mulheres de opiniões estruturadas às quais possam ascender ao invés de cantoras, actrizes e reality shows que degradam a imagem do que é ser mulher. 

Espero que o projecto avance e atinja sucesso. Por enquanto só tive oportunidade de ler algumas crónicas e ver uma entrevista, mas já me apaixonei e tornei-me seguidora do site e facebook.


Para visitar o site clica aqui!
Para visitar a página do Facebook clica aqui!

sábado, 3 de janeiro de 2015

What's in your head?



Começo este post com uma música.
Os Placebo deram um concerto no final de 2014, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa. A certa altura o vocalista disse "This next song is based on a true story, but we had to change the names for legal reasons in order to protect the guilty. And I can see, from here, that many of you are here tonight and you know exactly WHO YOU ARE. Thank you.". De seguida a banda começa a tocar o single "Too many friends" deixando a multidão ao rubro (eu incluída).

Esta música pertence ao mais recente álbum da banda (Loud Like Love) e fala da influência da tecnologia e redes sociais na nossa vida.

A cada dia que passa cada vez mais nos desligamos das pessoas que nos rodeiam, vivemos agarrados a computadores, tablets e telemóveis. Eu própria me encaro como cúmplice e culpada deste estilo de vida.

A questão é: até que ponto deixaremos chegar esta falta de ligação humana? Os efeitos colaterais já são observáveis, cada vez mais existem comentários negativos, ódio, egoísmo, indiferença, solidão, desrespeito, jovens com depressões ou, até mesmo, tendências suicidas. Vemos as nossas crianças a levar uma infância agarradas a vidas virtuais, alheias da realidade e do mundo físico e não nos preocupamos com isso, por vezes até as fomentamos. Mas o que será do mundo quando for governado por pessoas que talvez darão mais importância a ao digital do que ao real?
Será que essas pessoas se preocuparão com a fome, a pobreza, a escravidão, a discriminação, a poluição ou será que darão mais prioridade ao cyberbullying, acesso mundial livre à internet, etc? Será que sentirão empatia e compreensão pelo outro ou vê-lo-ão apenas como algo do outro lado do monitor?

"My computer thinks I'm gay. What's that difference anyway, when the people do all day is starring into a phone?"

Placebo

Não me interpretem mal, eu adoro tecnologia, acho que pode ser extremamente útil e divertida. Tornámo-nos muito mais eficientes graças a ela, fizemos descobertas fantásticas, ligámo-nos com quem está longe e talvez nunca mais pudéssemos ver, descobrimos uma nova forma de interação e partilha. No entanto, nem sempre usamos as nossas ferramentas da melhor forma, afinal uma faca não magoa se for bem utilizada...

Acima de tudo não nos podemos esquecer do mais importante: agir, fazer a diferença, conhecer lugares e pessoas, ajudar quem precisa, apoiar um amigo, trabalhar e sentirmo-nos úteis. No fundo, viver uma vida cheia. Para isso temos que estar "lá", não basta carregar num botão. E estar lá não só fisicamente mas mentalmente também! De que valerá a tua presença num jantar ou festa se te limitares a ficar agarrado ao telemóvel, completamente alheio ao que te rodeia?

Há um mês atrás eu fui almoçar a uma cantina universitária com o meu namorado, sentámo-nos sem reparar nas pessoas à nossa volta e começámos a discutir vários assuntos. Quando demos por nós estávamos numa discussão acesa devido a opiniões divergentes, mas reparámos num silêncio aterrador à nossa volta. Eu parei de falar, fiz sinal ao meu namorado com o olhar, e ambos pensámos que as pessoas em volta estavam caladas a ouvir a conversa (do estilo: omg... aqueles dois estão a discutir imenso). A verdade foi que quando nos levantámos deparámo-nos com 3 pessoas, sem comida nos pratos, completamente agarradas aos respectivos telemóveis que, pelos vistos, tinham passado +/- 30 mins. sem dirigirem palavra uns aos outros...

Eu pergunto, o que preferiam vocês? Ficar em casa a jogar uma partida de CS, LoL, etc, ou sair com os vossos amigos e ir jogar uma partida de bilhar, sueca, matraquilhos, ou mesmo paintball? Eu sei que a maior parte de vós deve responder a 1ª opção... e é isso que me assusta. 

"Staying in my play pretend where the fun ain't got no end. Can't go home again, need someone to numb the pain"

Tove Lo