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domingo, 1 de março de 2015

Antestreia de "Road to Extinction"


No dia 25 de Fevereiro, foi exibido no cinema São Jorge o documentário dos Moonspell "Road to Extinction" realizado por Victor Castro. Tanto o novo álbum como o documentário centram-se na problemática da extinção.

Toda a banda esteve presente na exibição. O primeiro a surgir foi Fernando Ribeiro que, causando pressão sob os restantes membros, surgiram rapidamente um a um, juntamente com familiares.
Foi feita uma breve introdução com leitura de um texto em português sobre a temática do álbum e um comentário breve do realizador que explica não ter feito uma grande edição e ter-se concentrado em apanhar o máximo de momentos e documentar a produção do disco em cru.

De seguida deram início à projecção do filme. Extinção é um tema sobre o qual até tenho algum conhecimento, mas a edição de um álbum é algo que me escapa por completo. Apreciei ver as várias fases de produção, ver a dinâmica da banda e identificar semelhanças que podem existir entre esta e um grupo de laboratório.

A partir do momento em que os Moonspell chegam à Suécia o documentário torna-se muito fluido, nem damos pelo tempo a passar, quer seja pelos vislumbres das novas músicas quer fosse pelos momentos cómicos, como os vários takes que foram necessários ao Ricardo , ou a conversa entre o Fernando e a Siri.

Ao longo do filme os Moonspell remetem sempre para o tema do álbum. A extinção, explica-nos Fernando Ribeiro, pode ser interpretada de várias formas por diferentes pessoas. Algumas encará-la-ão de forma mais correcta, atribuindo-lhe o devido peso, outras de forma mais leviana e indiferente. No álbum, os Moonspell retratam também a extinção associada à perda pessoal. Quando nunca mais voltamos a estar num determinado local, com certas pessoas e a sentirmo-nos a pessoa certa, no sítio certo, à hora certa.

Os professores Mário Cachão e Francisco Petrucci-Fonseca (presidente do Grupo Lobo), ambos da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, contribuíram com uma perspectiva mais científica e com o exemplo da conservação do lobo ibérico.

Em suma, o documentário de 80 mins. vai permitir aos fãs de Moonspell ter um contacto mais próximo com a produção de um álbum que deixa muitas expectativas e compreenderem melhor a essência que este se propõe transmitir.


sábado, 28 de fevereiro de 2015

Diabo na Cruz no Tivoli


"Num concerto de Diabo na Cruz tudo pode acontecer"

Quinta à noite os Diabo na Cruz deram início à sua digressão no teatro Tivoli, em Lisboa. A animação e energia em palco não tardou a contagiar a plateia que logo na 2ª música ("200 mil horas") se pôs de pé.

Já o concerto ia algo avançado quando a meio da música "Casamento" o teclista João Gil dirige-se ao microfone e agradece a presença de todos no concerto que diz ser especial por mais do que um motivo. Chama Joana, a namorada que ama já há 10 anos, a subir ao palco e, quando esta timidamente surge, ele ajoelha-se e pede-a em casamento diante de uma plateia comovida.
Terminam a música e segue-se uma versão de "Luzia" apenas com o canto de Jorge acompanhado pelo piano solitário. Um momento de levar lágrimas aos olhos.

Voltaram ao ritmo de festa com o tema "Saias". "Dona Ligeirinha" e "Sete Preces" levam a audiência ao rubro, com letras na ponta da língua e alegria contagiante. "Vida de Estrada" torna-se a cereja no topo do bolo, nesta altura a maioria da plateia dança, pula e canta do fundo dos pulmões! A banda retira-se para retornar ao pedido do encore.

A simpatia e dedicação ao público foi especialmente notada nos encores. Ao som de "Chegaram os Santos", Jorge Cruz organizou um comboio nas primeiras filas da plateia que culminou com a invasão do palco por algumas dezenas de pessoas. Fez-me lembrar as festas de aldeia que eu tanto estimo. Um final que podia ser perfeito, mas com o qual o público não se contentou. Os Diabo voltaram de casacos na mão para um 2º e último encore que deu a sensação de ser totalmente espontâneo, terminando assim o concerto com "Mó de Cima" e "Armário da Glória".

Uma das melhores bandas nacionais de rock. Com uma base de fãs cada vez mais alargada e sólida, só falta um pouco mais de projecção por parte dos media e reconhecimento pelo grande público para serem tão grandes quanto Xutos e Pontapés.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

A Viagem dos Capitães da Areia a bordo do Apolo 70



Após uma longa espera eis que finalmente os Capitães da Areia nos brindam com um álbum refrescante e original.

Arrastados para uma viagem pelo universo a bordo do centro comercial Apolo 70 transformado em nave espacial, os nossos capitães encontram vários seres pelo caminho. Travam a batalha da Cassiopeia com os Capitão Fausto, assistem a um duelo de reis comem uma bifana com o Bruno Aleixo, atravessam uma cintura de velhinhas, o Vasco é levado por cânticos da Lena d'Água, são animados com um lugar ao Sol, até regressar a Portugal e às suas morenas de beijos espaciais.

Recheado de ironia e humor, é possível encontrar preciosas expressões como:

"Eish que sexy!", "Quero pão com mamelada!", "Mayday, mayday, tenho velhinhas a sair de órbita", "O ovo está xixo", "Rosebud"

No dia 25 de Janeiro disponibilizaram o álbum integral no Youtube, que pode ser ouvido neste link.

Para adquirir o CD por enquanto existem 4 opções:
  • Nas lojas Louie Louie e Flur Discos
  • Escrevendo para oscapitaesdaareia@gmail.com e aguardando resposta
  • Nos especáculos ao vivo.
Têm em agenda um concerto dia 21 de Fevereiro na Musicbox em Lisboa por apenas 5€.
Clicar aqui para comprar bilhetes!

Valeu a pena a espera!






quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Lendas de Portugal


A música que é feita hoje em dia com inspiração medieval tem muitas vezes como temas contos e lendas da tradição oral popular. Graças à curiosidade despertada pela canção"Pieira dos Lobos" da banda Música Profana encontrei um dos projectos do Centro de Estudos Ataíde Oliveira.

O Centro de Estudos Ataíde Oliveira está sediado na Faculdade de Ciências Humana e Sociais da Universidade do Algarve. Foi criado com o intuito de desenvolver a literatura oral e desde 1994 que efectua a recolha e arquivo de versões de contos portugueses. Actualmente têm dois projectos entre mãos, o Arquivo do Conto Tradicional Português e o Arquivo Português de Lendas.

Este último possui um vasto conteúdo de mitos e lendas portuguesas incluídas nas seguintes categorias: Lendas Sagradas, Históricas, Urbanas, Etiológicas e Lendas do Sobrenatural. Numa das páginas encontrava-se a lenda na qual a música se inspirava.

A forma mais simples de encontrar uma lenda específica é usando o formulário de pesquisa (Search Form), no entanto, é também bastante interessante perdermo-nos no site durante algum tempo, deixando-nos navegar pelas várias categorias, descobrindo um pouco da cultura popular portuguesa.

Até agora foi o maior e melhor arquivo online que encontrei desta temática e revela-se não só uma óptima fonte de curiosidades mas também bastante útil para quem não tem facilidade em se deslocar a uma biblioteca onde seja possível consultar volumes deste contexto.
É possível visualizar o site tanto em português como em inglês, tornando o seu conteúdo ainda mais acessível.

É bem vindo o contacto de pessoas que conheçam mais lendas ou contos portugueses que ainda não fazem parte destes arquivos. Para ajudar a completar o arquivo devem enviar e-mail para  CEAO@ualg.pt







quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

A Música Portuguesa A Gostar Dela Própria - Tiago Pereira



Estreia hoje às 22.45h, na RTP 2, uma série documental de 26 episódios, por autoria de Tiago Pereira, intitulada O Povo Que Ainda Canta.

Esta série tem por base a recolha efectuada pelo realizador Tiago Pereira, que, desde 2011, tem percorrido o país de Norte a Sul e gravado canções, ditos, lengalengas, bandas e grupos populares.

Já há mais de um ano que acompanho o projecto A Música Portuguesa A Gostar Dela Própria deste realizador português, e tenho observado uma grande base de dados aumentar de dia para dia graças ao trabalho, esforço e dedicação deste homem que se comprometeu a dar voz às velhinhas, e não só, espalhadas ao longo deste país. O "arquivo" conta já com mais de 1800 vídeos.

Para mim, a gravação das tradições portuguesas é um autêntico serviço público. Devia ser mais valorizado tal como muitas outras pessoas neste país que não recebem o devido reconhecimento, e merece, sem dúvida, um destaque muito maior do que o que lhe tem sido dado até hoje. Ainda assim aplaudo a iniciativa de emissão desta série num canal público.
 É bom saber que a partir de hoje as pessoas que não têm acesso a internet poderão também desfrutar dos frutos deste trabalho.

Quando olho para o nosso panorama musical penso que à excepção do fado parece que houve um corte brusco do som português que se fazia há umas décadas e o que se faz hoje. Quando ouvimos as bandas mais recentes os seus trabalhos não parecem reflectir a musicalidade portuguesa, mas antes uma cultura exterior.
Adoro a música portuguesa no geral, gosto tanto de artistas que cantam na nossa língua, como de artistas que cantam em inglês ou artistas e bandas que se concentram no instrumental e deixam a cantoria de lado. No entanto uma das minhas bandas favoritas são os Diabo na Cruz, e uma das razões pelas quais adoro a sua música é a proximidade que tem da música popular portuguesa, e da maneira como conseguiram transformá-la e fazê-la evoluir para um estilo revigorante e único que é o "rock popular".

A meu ver fazem falta mais umas quantas bandas com este não-sei-quê português. Pode ser que este trabalho de Tiago Pereira inspire alguém a avançar.





Recanto - "Mondego" from MPAGDP on Vimeo.


"Deêm-me duas velhinhas, eu dou-vos o Unniverso"
Tiago Pereira


Canal no Vimeo:  MPAGDP

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Moonspell


Recentemente assisti a um concerto espectacular desta magnífica banda portuguesa. Apesar de ser uma fã recente e de só ter passado a ouvir as suas músicas há pouco mais de um ano, os Moonspell são uma banda pela qual me apaixonei de imediato e para o resto da vida.
Cativam pelas sua sonoridade e letras lindíssimas, carregadas de significado. Desde o seu 1º álbum Wolfheart, até ao mais recente Alpha Noir conquistam-nos e fazem-nos viajar neste universo incrível.
Pessoalmente prefiro os seus temas mais antigos, dos quais se destacam "Alma Mater", por muitos tido como o hino nacional do metal, e "Than the Serpents in My Arms", um tema não tão conhecido mas com um belo poema de Mário Cesariny no início.
Um dos motivos que me levou a ouvir Moonspell foi o facto de transportarem Fernando Pessoa e outros poetas portugueses para a sua música, possuírem um nível de cultura muito bom que transparece nos seus trabalhos e possuírem letras com significado.
Recomendo esta banda a qualquer pessoa e no caso de não serem fãs de metal dêem lhes uma hipótese... (eu também não era... mas passei a ser XD) comecem por ouvir versões em acústico, ou oiçam as músicas com a letra à frente, verão que no início faz toda a diferença, se começarem a gostar mesmo deles e a ouvi-los mais frequentemente depressa     deixarão as letras de lado ;)

No meu ponto de vista os Moonspell enaltecem Portugal graças à qualidade indiscutível da sua música e fazem-me sentir ainda mais orgulhosa de pertencer a este tão nobre povo e país. Sem dúvida que não podia deixar de fazer um post sobre eles.
Muito obrigada por tudo o que fizeram até hoje e espero que continuem o vosso trabalho por imenso tempo.

MOONSPELL PARA TODO O SEMPRE!!!!